Corro, corro, quero lá chegar,
Mas o caminho tão longo,
Só ouço a música de fundo,
O som do verdelhão que canta no ramo.
É a história mais difícil que já tive de viver,
Pois sei que já não há finais felizes.
Espero por tudo,
Menos glória, reconhecimento,
Afinal, é um génio ou não incompreendido.
Só um pouco de amor chega,
Só um pouco de esforço,
Só um pouco de alma,
Só umas palavras.
Mas tudo se resume a isto,
E um dia quando o sol brilhar,
Brilhará com mais força,
E sei que terei força de seguir o meu caminho,
A vitória, os olhares, o múrmuro do doce cantar
Conseguir, alcançar!! ESTOU LÁ.
Assim será eternamente nesta luta,
Mas descanso agora,
Não posso seguir agora...
Não quero fingir,
Não quero fugir,
Não quero sofrer,
Não quero o rumo fácil,
Acordo de manhã no sofrimento,
Só um pouco de céu no meu vivo inferno.
O posicionamento de tudo,
Das sensações,
Das almas,
Nada a meu favor.
Mas é assim que sigo o meu caminho,
E é assim que quero,
O que tenho em minha mente vou cumprir,
Porque se me anulo tudo corre mal.
Mas será sempre assim?
Questiono-me se estarei sempre neste fernesim de dúvida
E de escrita,
Estarei sempre aprisionada neste labirinto sem fim,
Nesta dimensão em que o mundo escolhe sempre os outros e não me escolhe a mim...
Só quero estar aqui, sozinho...
O amor...já há muito que me abandonou,
A compaixão, já há muito que de mim troçou.
O entendimento, há muito que me abandonou a razão...
Vivo uma batalha épica entre vários mundos,
O correr em busca do seu fim,
Mas tremo e não consigo.
Descando agora...preciso...
Não há mais palavras para descreverem esta luta,
O ódio que assoma o meu espírito,
A descodificação que processo,
Nada me corre bem...PORQUÊ?
Mas eu sei...não espero nada, de ninguém.
Desapareçam miseráveis...
A minha respiração pontua o batimento cardíaco,
Este êxtase de existência.
Mas olho para a lua, busco pelo conforto.
Mas não vejo nada...nada...nada
Nunca vejo nada, ninguém me entende, nunca sei o que sei,
Nunca tenho resposta ás minhas próprias dúvidas.
Duvidem, questionem...mas não julguem.
Neste círculo vicioso em que o homem pensa possuír inteligência,
A natureza subjuga-o,
Já não se trata só de mim, trata-se de tudo,
Trata-se do universo,
Do que me rodeia,
Dos outros que se rodeiam a eles próprios.
Nesta posição digo, nesta afirmação pretendo,
Desta forma grito: O ETERNO não é eterno,
Não há nada pelo que valha a pena lutar.
Não há nada para além do nada.
Abandonaram-me
Pois agora abandono as palavras,
O sentido,
A batalha.
Procurem sozinhos o caminho dessa coisa a que chamam existência.